o pior da nossa educação está em querer qualificar os portugueses à pressão e transformar as universidades em salsicharias. para depois, os melhores qualificados irem usar os conhecimentos adquiridos noutros países, enquanto que nós ficamos com os “desenrascados”.
ou seja, o problema É a educação mas transcende-a: para além de nos habituarmos a qualificar, desenvolver a investigação (e aprender que a mesma investigação ajuda ao sucesso comercial e económico) é necessário criar condições para que os nossos licenciados fiquem no país. e essas condições passam por investimento privado na investigação e melhores salários (apesar desses aumentos serem necessários a todas habilitações…)
e convenhamos que tendo no nosso tecido empresarial uma qualificação média de 4ª classe, não há grande volta a dar ao texto. temos uma pescadinha de rabo na boca, que é preciso atacar em todas as suas vertentes: incentivos à investigação pública MAS também privada. incentivos à qualificação REAL de quadros superiores das PME’s - as NO’s não servem de nada à senhora da limpeza, mas podiam abrir os olhos a muitos empresários, com formações orientadas e vocacionadas à gestão, tipo “coaching”.
tudo porque enquanto continuarmos a exportar os nossos cérebros (e agora a percentagem é brutal… metade dos meus amigos está lá fora, e quase toda a gente que está nas universidades tem como sonho sair do país…)vamos continuar a afundar o nosso sistema educativo, o nosso sistema social-económico e acima de tudo, vamos estar a afundar o país.
fico triste quando me apercebo que para grande parte dos licenciados , o grau académico serve apenas como passaporte para um carreira no exterior. deveria servir para uma aposta em nós, uma forma de desenvolvermos finalmente o nosso país.
também culpabilizo a falta de ambição e de espírito empreendedor de muitos (na qual me incluo), de forma a renovar o país. também conheço os entraves do estabilshment, mas enquanto não fizermos nada, ele vai lá estar, a zelar pelos próprio interesses. mas enquanto não houver mudanças fortes por parte do estado e mudanças fortes de nossa parte, então aí, volto a dizer: os portugueses têm do país que merecem, eu é que não merecia ter nascido português.


